sábado, 20 de novembro de 2010

Inteira

Gostava de abrir a janela a noite, quando todos já estavam dormindo. Era silencioso. Fresco. Puro. Um dos raros momentos em que podia sentir, de verdade, que existia. Afinal, durante o dia não se tinha tempo para isso. Antes de chegar a noite, o importante era apenas sobreviver, solucionar, ir pra lá e pra cá atrás de coisas sem muita importância; não existir. Só naquele instante conseguia parar para enxergar um pouco além. Pensava no resto do mundo - as pessoas dormindo, ou trabalhando... nos outros países, o sol nascia, alguém era demitido, bebês nasciam, avós morriam. Mas ela estava ali. De pé, inteira - apesar de todos os tropeços - e viva. Com planos, esperanças, sonhos e expectativas. Lembranças e dores também, mas nada mais forte do que a convicção de que tinha uma vida inteira pela frente. Aliás, uma vida que dependia, principalmente, dela mesma. Esse pensamento lhe trazia ao mesmo tempo uma onda de poder e gratidão - a seja lá quem estivesse por trás desse universo todo. E, a propósito, a lua estava especialmente brilhante naquela noite.

12 Comentários:

Larissa disse...

Ler seu texto me fez pensar que eu, afinal, também tenho minha vida inteira pela frente. E só nessa simples frase: "minha vida inteira pela frente", duas palavras me fascinaram: MINHA, e INTEIRA. É poder demais, e comprimento demais. De repente, me senti grata e até abençoada. Te agradeço pelas sensações. Um beijo!

Natália disse...

Tenho medo de abrir janelas a noite. beijo

Larissones disse...

É tão belo e uma sensação gostosa abrir a janela a noite, e sentir a noite, a lua... :)

Lizzy S. disse...

Gostei desse conceito do existir... Muito boas palavras!
beijos.

Vanessa Souza Moraes disse...

Apesar de... a gente vive.

Islla Lopes disse...

É por isso que se vive ;) amo aqui

Laís disse...

E nesses momentos tenta-se descobrir por quê e por quem existimos.Adorei

beeijos

Luana Santana disse...

Faço isso e adoro. Ver o mundo da minha janela é como se ele fosse só meu.

bjs

Elisa disse...

acho incrível como me indentifico com seus textos *-*

Júlia disse...

Se você não voltasse a escrever aqui, eu te pegava pelos cabelos, menina!

As vezes eu tento imaginar quantos bebê estão nascendo e quantas pessoas estão morrendo ao mesmo tempo, ai forma uma balança na minha cabeça e fica difícil demais, ai eu desisto.
Mas eu sempre tento..

Preciso falar que tá tudo lindo aqui?
PS: adorei a Audrey fofinha lá em cima.
PS2: Te vejo na sexta.

Carolina P. disse...

Estar ali, é fácil, o dificil mesmo, é existir nesse tempo todo.
beijo

Matheus N. disse...

Inteira.

mesmo a lua estando lá, fora.

Inteira. Inteira! essa palavra é uma delícia :*