O que eu mais gosto do verão não é o sol quente bom pra pegar uma cor na pele, que fica escondida o resto do ano, nem os vestidinhos leves, nem a licença pra usar chinelo o tempo todo, nem as praias lotadas. Minha parte preferida dessa época são as tempestades de fim de tarde.
Hoje foi um dia típico, quente desde o nascer do Sol, abafadíssimo, com uns ventinhos de vez em quando só pra gente não morrer sufocado. Desanimador pra quem tem que trabalhar, o calor particularmente me dá um desânimo tão grande quanto a minha moleza. Verão pra mim tinha que ser feriado nacional: passou de 30 graus vai todo mundo pra casa ficar na frente do ventilador ou, os mais animados, pra praia ou piscina. E foi exatamente isso que fiz hoje o dia todo - graças a Deus estou de férias - com pausa apenas para o almoço e um filminho quando o sol estava forte demais. Dá-lhe protetor.
Como em todo dia típico de verão, depois das 4 e pouco o céu começou a fechar. Um ventinho mais gelado, umas nuvens mais escuras. Saí correndo da piscina, troquei de roupa, procurei um chinelo (só eu sempre perco os chinelos ou é normal?) e corri pra passear com o cachorro antes do pé d'água cair. Dando a volta na quadra, já senti um pingo na testa. Vi todos da rua se recolherem ao som dos trovões. Entrei em casa e meu cachorro já correu pra debaixo da cama. Então a chuva parou de ameaçar, e finalmente caiu.
Não sei exatamente o que me encanta nessas tempestades, mas talvez seja a nossa pequenez diante delas. Engraçado como sempre penso sobre o que deve ter acontecido pra deixar Zeus tão puto da vida a ponto de despencar o céu em cima de nós. Acho lindo o fato de uma tempestade ser a única coisa capaz de transformar o dia em noite, de apagar o brilho do Sol, de deixar as ruas, até das maiores cidades, desertas.
O céu ficou cada vez mais escuro, e os pingos mais grossos e violentos. O vento jogava-os para os lados, bagunçados, em toda direção. Os raios e trovões se multiplicavam. Tirei as roupas do varal com pressa, verifiquei todas as janelas, deliguei a TV da tomada. Fiz um leite batido com chocolate e sentei na varanda para aproveitar o espetáculo.